“Est-ce que quand je serai un chat, je pourrai manger des croquettes?”
whosafraidofelizabethtaylor:

Cleopatra :)
São Paulo, Brasil, América do Sul, hemisfério meridional, Terra, sistema solar, universo… um deles.Eu nasci aqui. Vivo aqui a maior parte do meu tempo. Cada vez mais. Mas ainda não entendi bem em que tipo de lugar eu estou. Às vezes fico pensando a que continente esta cidade pertence. Acho que a nenhum.O que quer dizer esse aglomerado? Outro dia senti que era algo como um cogumelo. Uma explosão que não terminou. Uma placenta gigantesca. Quase ninguém gosta dela. O resto do país não gosta. Os turistas não gostam. Os próprios habitantes às vezes parecem não gostar.A angústia aqui parece ser maior. Tudo parece ser maior. Impreciso. Incompreensível. Para mim, muitas coisas se passaram nela, e passaram por mim, nela. Em quase todos os lugares alguma coisa aconteceu. Por isso, mas não só por isso, alguma coisa me agarra aqui, me prende, me segura e me fascina. É o meu território. Meu local de caça, de domínio. De sofrimento, de prazer e de poder. Todas as referências e memórias. A euforia, a depressão, a luta, a vitória, a desilusão, o arrebatamento e a frieza. Tudo.Dizem que é um lugar descaracterizado: não é o trópico, nem o frio; não é civilizado, nem primitivo; não pertence a nada; não é alegre, não têm charme especial, não têm lógica; não é antiga, nem moderna. É só forte, dizem alguns; mas agressiva também. E, principalmente, dizem e acho que é verdade, é indiferente, distante, imprecisa, quase sem tradição, egoísta, individualista, cruel e devoradora. E é isso, principalmente, que me liga intensamente a ela, numa espécie de osmose, de amálgama, de identidade de maneira de ser, de agir.No meu plano individual, me sinto como ela: O mesmo turbilhão, a avalanche, a ânsia e a fúria, a falta de medida, a vontade de não sei o quê. O meu interesse se concentra em mim e nas minhas obsessões, que eram muitas e que agora reduziram-se a praticamente uma só. Restou apenas uma coisa incrustada aqui dentro que às vezes parece o começo e outras o fim.(Eros, o Deus do Amor - Walter Hugo Khouri, 1981)